Hoje vamos falar sobre uma ferramenta muito estrutural. Na verdade, é uma ferramenta que usarei no futuro para contextualizar outras ferramentas.
Aprendi esta com um terapeuta que tive durante um período da minha vida em que estava bastante desequilibrado. Tinha uma relação de mais de 11 anos e, depois de lhe ter feito um pedido de casamento e ela ter aceite, acabou por terminar comigo após alguns meses.
Durante a terapia, fizeram-me perceber o quão desequilibrada estava a minha vida. Como estava a colocar a maior parte do meu esforço mental na relação e menos noutras áreas igualmente importantes. E quando digo esforço mental, nem estou a falar de um esforço real e eficaz que poderia ter ajudado a relação. Refiro-me a uma atenção tóxica e contínua à relação, dando-lhe uma importância exagerada.
O tipo de pensamentos que tornam a relação o centro de tudo. E isso nunca é saudável e, para ser honesto, nem é justo para a outra pessoa, que acaba por carregar um peso demasiado grande de responsabilidade.
A forma como isto me foi apresentado foi muito visual e clara. Até incluía desenhos num pedaço de papel (adoro isso). A minha vida, felicidade e bem-estar são sustentados por vários pilares. Cada pilar representa algo importante na minha vida. Uma área distinta que me apoia de alguma forma.
O interessante é que não é igual para toda a gente. E, na verdade, o processo de explorar e identificar os nossos próprios pilares é uma grande parte deste exercício. No meu caso, na altura, a lista era algo como: Relação, Trabalho, Saúde, Família, Amigos. Muito simples e suficiente para o que estávamos a trabalhar. Depois tentei desenhar esses pilares, atribuindo-lhes um tamanho proporcional à atenção que estava a dar a cada um.
Para explicar melhor, imaginemos que definimos a espessura dos pilares com um número de 1 a 10. Na altura, a minha lista era algo assim: Relação: 10, Amigos: 3, Trabalho: 2, Saúde: 2, Família: 1.
Ao colocar isso no papel, visualmente, ficou muito claro o quão desequilibrado eu estava. Fiz da minha relação a coisa mais importante da minha vida. Se fosse ainda mais honesto naquela altura, teria desenhado o pilar da relação por baixo de todos os outros, a suportar tudo, como se fosse uma estrutura de dois andares. E é fácil imaginar o que acontece se esse pilar se quebrar.
Isto ajudou-me imenso no meu processo. Comecei a questionar-me: “Estou a sentir-me pior com o fim desta relação do que quando a minha mãe ou o meu irmão morreram. Quão doente e desequilibrado é isso?”
Então, vamos ver como podes aplicar esta ferramenta:
1 – Pega num pedaço de papel ou abre um novo documento no computador.
2 – Faz uma lista das áreas importantes da tua vida, os teus pilares. Pode ser algo como Trabalho, Saúde, Relação, Amigos, Família, etc. Não te preocupes se sentires que falta algum. A ideia é rever esta lista de tempos a tempos. É tua, podes alterá-la sempre que quiseres.
3 – Agora pensa em cada um dos teus pilares e escreve que ações tens tomado para melhorar cada um. Tens estado em contacto com os teus amigos ou família? Tens-te dedicado ao trabalho? Tens feito algo para fortalecer a tua relação, como pequenas surpresas ou convites para jantar? Não se trata apenas de como percebes cada área, mas também de quanto esforço e ações tens investido para melhorá-las.
4 – Com base nisso, dá uma pontuação de 1 a 10 a cada um dos teus pilares. Tenta ser o mais honesto possível. Ninguém vai ver esta lista, por isso faz o esforço de ser transparente, mesmo que doa.
5 – Agora desenha os pilares no papel, atribuindo-lhes a espessura correspondente ao número que lhes deste.
6 – Avalia. Observa os teus pilares. Onde estão as fraquezas na tua estrutura? Que pilares precisam de mais trabalho?
7 – Faz uma pequena lista de ações simples que podes realizar para fortalecer os pilares mais fracos. Pode ser preparar uma massagem surpresa para o teu parceiro, organizar um jantar com amigos, visitar uma tia, ou até reconectar-te com alguém com quem perdeste contacto devido a um desentendimento. Estas ações devem ser concretas e não complexas nesta fase.
8 – Agenda essas ações. Decide uma data para cada uma. Certifica-te de que é confortável para ti.
9 – Executa essas ações!
Isto é algo que deves fazer de tempos a tempos. Reavalia os teus pilares e ajusta-os à medida que tomas novas ações. Se sentires que um deles está a enfraquecer, talvez seja altura de criar novas ações. Algumas podem até ser repetidas, como decidir telefonar aos teus pais uma vez por semana.
Ou talvez tenhas começado a fazer trabalho voluntário e percebas que isso se tornou um novo pilar na tua vida. Isso aconteceu comigo na altura. Às vezes, encontrar novos pilares é uma boa solução para fortalecer a estrutura da tua felicidade. Mas lembra-te de não negligenciar os outros, se queres uma vida equilibrada.




